ღಌ Fairy Tale ღಌ

Toda, ou quase toda, a história. Cheia de todas as maravilhas, todas as aventuras, todos os medos, todas as lágrimas, todos os sorrisos, todas as esperanças, todas as angustias, todas as brigas, toda a cumplicidade, toda a verdade, todas as mentiras, toda a sinceridade e acima de todo o amor que lutou para estar onde chegou.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Nunca Amamos Alguém

Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos.
Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa. O onanista é abjecto, mas, em exacta verdade, o onanista é a perfeita expressão lógica do amoroso. É o único que não disfarça nem se engana.
As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha’ complexidade. No próprio acto em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois “amo-te” ou pensam-no e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma ideia diferente, uma vida diferente, até, porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstracta de impressões que constitui a actividade da alma.


Fernando Pessoa

quinta-feira, 7 de julho de 2011

28.06.2011




Ontem à noite eu estava muito ansiosa sabe. Não conseguia para de olhar para o celular. Ficava relendo mensagens antigas, ouvindo as mesmas musicas e sempre entrava na agenda procurando por um número que não existe mais. O tempo estava se arrastando, muito preguiçoso por sinal. Parecia que o mundo ia acabar, mas não ia dar meia noite. Eu queria muito que fosse logo 00h. Eu queria muito que fosse logo o outro dia. Eu queria muito estar em outro lugar nesse outro dia. Eu queria muito estar fazendo outra coisa nesse outro dia. Eu queria muito estar com uma pessoa em especial nesse outro dia.

Enquanto o tempo parecia ter congelado eu não resisti em me afundar em todas as nossas antigas lembranças. As boas e as ruins. As boas que sempre foram as melhores de se lembrar, e as ruins que sempre nos fizeram mais fortes. As boas cheias de carinho, emoção, intimidades, confissões, cumplicidade, sorrisos, amor e até lágrimas doces. As ruins feitas de gritos, olhares de desaprovação, deboches, silêncios, mágoas, agressões e pirraças. Todas as lembranças que eu gosto, ou não, de guardar, eu revivi dentro de mim. Tomei as mesmas decisões em algumas e inventei finais alternativos para outras, o importante é que em todos os casos nós estávamos sempre juntos. Enfrentamos nossos medos, tivemos coragem para mudar as situações e com dedicação mantivemos nosso amor.

Ao passo que eu sonhava acordada notei que já era 00h03min. Desculpa. Por um momento eu deixei de prestar atenção no tempo e ele correu mais do que eu pude acompanhar e você teve que esperar 180 segundos para receber os meus ‘Parabéns’. Eu queria muito ter sido a primeira, mas talvez estes poucos instantes tenham sido o suficiente para alguém tomar a minha frente. Mas isso não importa. Ninguém nunca vai desejar seu bem mais do que eu. Ninguém vai fazer mais pelo sorriso, nem ficar do seu lado como eu estou e pretendo permanecer.

Quando deu meia noite e três, eu olhei para aquele porta-retratos que continua com a nossa foto e sussurrei bem baixinho [mesmo estando com vontade de gritar] “Parabéns! Mô, eu te amo!”. Sem querer eu também deixei escorrer uma lagrima no travesseiro, mas eu juro que era uma daquelas doces que eu mencionei e que não existem em nenhum lugar triste. É que eu estou muito feliz sabe, mesmo que eu já não tenha mais idéia de como demonstrar. Acho que eu perdi aquele feeling, aquela coisa que eu tinha que mostrava exatamente o que eu sentia ou queria e a minha insistência. Aquela mania besta de ficar repetindo a mesma coisa até te irritar ou te convencer a fazer algo. Talvez seja só falta de motivação mesmo, acho que eu passei tanto tempo sem isso que agora estou meio enferrujada para fazer exatamente como antes e mostrar o como eu me sinto. Você sente falta disso, eu sei. Você não para de dizer isso pra me lembrar.

A questão é que hoje, esse outro dia que eu estava esperando tanto, é um dia especial pra mim. Ele é seu marco inicial e eu realmente quero que ele seja muito importante para você. Eu quero que você goste dele e se sinta bem. Que você veja nele 29 anos de uma vida que valeu a pena ser vivida em cada detalhe. 10.585 dias de histórias acompanhadas de escolhas e direções que te fazem sentir orgulho de você como você é, assim como eu sinto de você pelo que você representa para mim. 254.040 horas de sentimentos incontáveis e ações e reações inimagináveis que fazem de você exatamente o que eu preciso. O meu número entende.

Você é especial para mim e eu realmente queria ser capaz de encontrar o jeito perfeito de te mostrar isso. Fico frustrada por não conseguir fazer nada mais que escrever algumas palavras tentando te mostrar o quanto eu te amo, e muitas vezes me perder nelas e me mostra mais confusa do que eu realmente estou. Não sou muito boa em manter o pensamento em uma mesma idéia, eu me disperso muito fácil. Mas felizmente sou ótima em continuar te amando, e tenho certeza que você consegue ver isso, mesmo através de tantos problemas que nos temos e criamos. E saber que você sabe como eu me sinto só me faz te querer cada vez mais. E toda vez que eu escuto você dizer que me ama, e vejo o como você me quer só pra você, pra ser única, só faz de mim mais completa como eu sempre quis ser.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

segunda-feira, 27 de junho de 2011

by Fotolog.. ;D

18/10/09

Adoro cuidar de você e de cada detalhe que faz tanta diferença no seu humor. Todos me dizem que eu não deveria te mimar tanto, mas eles não te conhecem como eu, não sabem nosso segredo. Que você sempre foi a “menina”. Mesmo com essa cara de mau, e assustando todos os meus amigos a gente sabe que no final é sempre você quem pede atenção como se ninguém soubesse quem você é. Mas eu sei que você não se preocupa mais com isso. Você já aprendeu e se acostumou comigo velando seu sono e cronometrando suas ações.
Não vou negar que às vezes eu sinto prazer em te deixar nervoso. Eu gosto de ver como você fica com raiva, e depois indignado com o como eu finjo que nada aconteceu e te deixo bem outra vez. Não que eu goste de inventar motivos para brigar, mas eu gosto de saber que o que eu faço interfere na sua vida. Que eu não sou como as outras que faziam tantas coisas, mas você nem ligava, simplesmente fingia que não era com você, ou terminava logo com elas. Você nunca foi muito bom em relacionamentos, sempre se cansou fácil, e nunca se conformou em ter que fazer alguma coisa para que eles dessem certo. Eu sei, eu lembro. Afinal nós éramos tão amigos, cheios de segredos.

[Re]Lembrando




Un'emergenza D'amore

È un'emergenza d'amore
Il mio bisogno di te
Un desiderio così speciale
Che assomiglia a un dolore per me

È un'emergenza d'amore
E no, non si chiede perchè
È un canto libero verso il mare
Questo viverti dentro di me

Sei il vino e il pane
Un'esigenza naturale
Sei un temporale che porta il sole da me
Dolcemente, mi spiazzi il cuore

Ed io ti porterò
Dentro le mie tasche ovunque andrai
Come una moneta, un amuleto
Che tra le mie mani, cullerò

È un'emergenza d'amore
Questo volerti per me
Averti addosso per non fare asciugare
Dalla bocca il sapore di te

Sei il bene e il male
Una battaglia, un carnevale
Sei la passione che non ha tregua per me
Dolcemente, mi spiazzi il cuore

Ed io ti porterò
Dentro le mie tasche ovunque andrai
Come una moneta, un amuleto
Che tra le mie mani, stringerò

Sei la mia prigione
L'evasione dentro me
Oltre la ragione
Solamente io conosco cosa c'è
Quell'amore che ho per te

Lo ti porterò
Dentro le mie tasche ovunque andrai
Come un incantesimo segreto
Per i giorni vuoti che vivrò

Per inseguirti in ogni viaggio che farai
Dentro le mie tasche ovunque andrai
Come una moneta, un amuleto
Che tra le mie mani, stringerò

segunda-feira, 20 de junho de 2011

And After The Storm...



I'll always be there for you
...

terça-feira, 14 de junho de 2011

Dia dos Namorados

Domingo foi Dia dos Namorados para praticamente todos que eu conheço, mas para mim foi apenas mais um dia. De tarde fui na casa de uma amiga, depois fui para minha avó, depois fiquei na minha madrinha fazendo qualquer besteira na internet enquanto esperava minha mãe me buscar. Quando cheguei em casa, fui assistir e nem demorei muito para dormir.
Uma triste realidade minha é que eu não comemorei o dia dos namorados desse jeito lindo, romântico, cheio de presentes e inesquecível que todos fazem. Eu sempre faço tudo o que eu já faço normalmente, sem nenhuma atenção especial ou qualquer motivo a mais. Acordo-saio-sobrevivo-volto-durmo. A mesma rotina de qualquer outro dia, aliás, muitos outros dias conseguem se sair bem melhores que este, com mais surpresas e mais marcantes.
Para não dizer que eu NUNCA comemorei, teve um dia sim, o único. Foi a cerca de 7 anos atrás, e eu me lembro só da parte mais bonitinha. O começo do dia e o restante apos esse momento que eu vou contar foi comum, acho que eu nem podia esperar nada demais mesmo. Me lembro de todos os outros colegas de classe me atormentando pra ver um presente que eu ainda nem havia ganhado, e de ficar procurando por um namorado que parecia mais preocupado em conversar [fofocar] com o amigo, do que ir embora comigo, caminhando e conversando como nós fazíamos todos os dias. De fato eu só lembro do que foi mais importante pra mim. Ele finalmente segurou minha mão e nós fomos até a casa de um amigo que saíu da escola e foi embora muito rapido. Chegando na casa dele, encontramos esse amigo e uma outra amiga nos esperando segurando a risada e com sorrisos que iam de orelha a orelha. Foi quando eu também já dando risada de nervosa porque não sabia o que estava acontecendo vi que o meu bebê estava segurando um par de alianças. Eles simularam uma pequena cerimonia onde eu me casava com meu Dragãozinho e esses nossos dois amigos eram nossas testemunhas. Foi lindo, eu não lembro se eu chorei [talves sim, uma lágrima], mas eu lembro que eu fiquei sem graça e acho até que briguei com meu namoradinho por causa da vergonha. Mas o que foi marcante mesmo, foram as juras de um amor eterno e uma vida juntos.
Nós nos amávamos de verdade. Nosso amor foi o mais puro que eu conheci, sem duvidas ou qualquer desconfiança. Ele durou mais do que eu jamais pensei que duraria, mas acabou. Acabou não porque nós já não nos amávamos mais, mas porque nosso amor ainda era muito jovem e ainda tínhamos muito a aprender antes de ficarmos juntos. No final eu segui meu rumo e ele o dele.
Esporadicamente ainda o chamo de Dragãozinho, digo que ele me deve uma visita e continuo adorando conversar com ele. O amor puro que eu sentia, eu ainda sinto, mas nós já não somos mais feitos um para o outro como éramos antes, porque nossas realidades mudaram e não vão mais voltar a ser como antes. Mas as marcas que ele me deixou vão viver pra sempre. Eu vou cultiva-las para que permaneçam em mim. Ele foi meu primeiro namorado cheio de um amor sincero, e eu nunca vou esquece-lo.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Na Balada

Era um sábado a noite e ela resolveu ir, afinal, todos os seus amigos estariam lá, e eles disseram que queriam muito que ela fosse também. Tomou cuidado ao se arrumar, como fazia tempo que não saia, não queria ficar feia e nem maquiada demais. Fez o básico, ficou bonita. Como sempre a preguiça tomava conta de todas as suas ações. Saiu de casa tarde, e quando chegou no lugar marcado todos já estavam lá. Foi direto naquele lugar escondido no fundo da pista, ela conhecia os costumes de todos seus amigos, eram sempre as mesmas pessoas e estavam sempre no mesmo lugar. Só uma coisa estava diferente, apenas aquilo parecia estar fora-do-lugar. Dessa vez ele também resolveu ir. Ele tentava conversar com alguns amigos no meio da musica alta e de pessoas 'dançando/empurrando', parecia se divertir, estava sorrindo, nem reparou a chegada dela. Ela tentou fazer o mesmo, pensou em fingir que não o tinha visto, mas desistiu e foi cumprimentá-lo, sem notar, fez isto antes mesmo de falar com qualquer outro amigo. Ele não respondeu. Por mais que ela estivesse logo ali, ao seu lado, ele parecia muito mais envolvido nas gargalhadas e palavras soltas no meio da bagunça. Quando ela se afastou ele colocou a mão no ombro dela e perguntou o que ela queria: "Queria dizer oi" "Oi então". Ele virou as costas e voltou a fazer o que parecia o agradar tanto. Ela virou as costas e foi ver seus amigos, estava com saudade de cada um deles, até dos mais distantes. Ela adorava aquele lugar, as luzes, o som, as pessoas, tudo parecia cada vez mais interessante conforme ela bebia mais e mais. O tempo passou, ela e ele não se falaram mais, cada um ficou do seu lado, conversavam alguma coisa enquanto estavam reunidos com os outros amigos em comum e depois se afastavam de novo. Até que uma hora todos pareciam ter sumido, cada um simplesmente estava em algum lugar que ela considerava impossível de localizar, e ele fazia parte dos desaparecidos [o que será que ele estava fazendo]. Resolveu então esperar, no mesmo canto que ela gostava, que todos gostavam, que todos sempre se encontravam. Ela encostou na parede ouvindo sua musica preferida, quando abriu os olhos e reparou que ele estava lá também, sozinho, olhando e caminhando na direção dela. Ela sentiu uma leve falta de ar, mas sorriu. Ele e ela não disseram nada, apenas dançaram, um com o outro, mas distantes. Ela perguntou alguma coisa qualquer, ele sorriu e respondeu, brincaram sobre alguma coisa qualquer e se afastaram novamente. Pareciam ter medo de ficar muito próximos. Foi quando aquelequalquer tentou se aproximar dela. Ela sentiu falta de como ele protegia e cuidava dela antes. Ela esperou que ele fizesse qualquer coisa, mas ele não fez nada, não disse nada, apenas olhou e virou de costas. Ela se afastou daquelequalquer por conta própria, aquelequalquer insistiu, foi quando ela reparou que ele se aproximou dela, de costas mesmo, ficou bem na frente dela não dando espaço para mais nada a não ser um abraço, forte, apertado. Ela o estava abraçando e demonstrando toda a sua saudade, mas não fazia ideia do que ele estava pensando ou da expressão no rosto dele por que ele continuava de costas. Aquelequalquer se afastou, e ele se virou. Ele e ela se olharam. Ele a abraçou de volta, apertado, e cochichou: "Nem adianta me olhar esperando nada, eu não vou mais te proteger". Ele Sorriu de lado. Ela e ele saíram do lugar, foram esperar os outros dentro do carro. Conversaram, brincaram, lembraram, ficaram tristes, mas ficaram bem. De volta em casa ele disse que estava esperando ela na casa dele na mesma hora de sempre, e ela respondeu que estava ocupada demais para ele. Todos riram, ele e ela se olharam e conversaram muito ali mesmo. O final de semana foi maravilhoso.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Meu Espaço.

Ultimamente meu cansaço tem me vencido. Não consigo mais dizer ou fazer nada que mude meus caminho, apenas espero pelo que parece ser inevitável. A verdade é que eu fiz escolhas mesmo sem querer que elas fossem feitas, mas não sei se foram certas ou se vou me arrepender. Eu fico esperando que seja o melhor, mas ao mesmo tempo me vejo em situações onde tudo que eu mais temo acontece. Eu gostaria que essa transição e busca pelo melhor fosse rápida e indolor. Não me causasse náuseas ou calafrios. Gostaria de não me apegar a cheiros, apertos e gostos. Gostaria que outros decidissem por mim, mas de qualquer forma já é tarde.
Estou cansada de manter coisas que não existem mais por me sentir satisfeita com as sobras. Eu não gosto de restos e foi esse o motivo que me fez reagir. Eu estou tentando ser inteira, ter apenas o que é inteiro. Sem espaços nos abraços, sem bocas secas, sem corações meio cheios ou meio vazios. Eu preciso dessa completude e deixar de ser leviana. Preciso!
Esse lugar eu fiz pra mim. É aqui onde eu deposito tudo que eu não suporto carregar comigo. É aqui que guardo o amor que foi demais, ou a dor que foi demais, ou a alegria que foi demais, ou o drama que foi demais. É neste lugar que eu converso com seus corações em segredo. É aqui que eu me aviso e aviso você, ou ele, ou ela, sobre o que eu sinto. É este meu esconderijo mais importante.
Eu preciso deste lugar mais do que nunca porque eu estou cansada. É aqui que eu reponho minhas energias, que eu reflito, penso, choro, sorrio e recomeço. É aqui que eu revejo como foi minha tragetória e imagino como ela será daqui pra frente.
Não posso me desfazer daqui. Esse lugar guarda meus segredos e meus anseios. Este lugar me lembra bons e maus momentos, este lugar me lembra de mim, dela, dele, você e todos mais que tem seu lugar dentro do meu coração e levaram consigo um pedaço da minha alma e um episódio da minha vida. Este lugar é importante porque me ajuda principalmente quando eu sou só suspiros, de cansaço, agonia, felicidade, amor ou finalizações.
Este lugar sou eu e eu sou este lugar enquanto assim puder ser.

terça-feira, 31 de maio de 2011

30.05.2011

Ontem foi meu aniversário. Graças a todas as redes sociais que existem, todos que eu conheço, ou não, souberam, e vieram com todas aquelas frases manjadas, sorrisos amarelos e abraços esbarrados, desejando coisas boas, felicidades e me mandando ter juízo, como se eu tivesse largado a faculdade, com três filhos pra criar, um na barriga e atrás de um marido gordo e desempregado que só sabe beber cerveja e assistir TV [exagerada]. A questão é que este foi cair justo em uma segunda. Atualmente eu tenho que acordar as 7h da manhã as segundas para ir para faculdade, depois para o escritório e depois volto para a faculdade. Na faculdade aula com um idioma estrangeiro e muita contabilidade e no escritório tudo que eu deixei para terminar na outra semana, porque sexta-feira, sabe como é né, a preguiça e vontade de viver intensamente matam qualquer tarefa obrigatória. 8)
Além de todos os problemas rotineiros e toda a minha atitude atrapalhada e desconcertada diante de pessoas que só pareciam me querer bem, me senti extremamente frustrada por não conseguir fazer a única coisa que eu mais queria [e quero todo ano sempre] que é sumir. Ficar tranquila entende. Assistindo, comendo besteira, apenas com meus pensamentos e debaixo das cobertas [mesmo se estiver calor]. Adoro esse sossego e me concentrar somente em mim. de deixar chegar perto só quem eu realmente quero, e ainda assim, a pessoa realmente tem que merecer. Poxa, eu fico 364 dias esperando por um para refletir o que aconteceu de bom ou ruim e o que eu espero que aconteça nos próximos depois deste que é o marco do meu nascimento. Pois é, eu não me importo com o ano novo e faço minha reflexão TODA no dia do meu aniversário, afinal, é só nesse dia que, pelo menos para mim, a Terra finalmente completou seu ciclo em volta do Sol.
Foi divertido, bolo na empresa, bolo em casa com a família, me dei presente, ganhei presente, comi bastante, gastei o que não tinha [mesmo], dei risada, me estressei, mas nada disso se compara aquele numero estranho me ligando no meio da aula de frânces. Não atendi, mas mandei mensagem dizendo que ligava em 10 minutos. Passaram-se 20 até que eu conseguisse sair da aula. Durante esse tempo mais ligações e o botão de ocupado sempre debaixo do meu dedo. Mas a verdade é que eu queria atender logo, saber quem era, estava muito ansiosa, coisa boba né. Finalmente quando eu saí da aula o numero só dava fora de área. Ódio de todas as operados do mundo. Tudo bem, fica-pra-próxima-quem-sabe. A verdade é que não precisou ser assim. Me ligou de novo enquanto eu estava dentro do ónibus e foi o MELHOR parabéns. O mais bonito, mais sincero, mais desejado. Foi exatamente do jeito que eu esperava. Foi simples e especial e bastante conturbado também. Eu estava no ónibus com muito barulho em volta e a ligação falhava muito, isso quando não caia de vez. Ouvi exatamente o que eu queria ouvir e disse também tudo o que eu precisava e queria. Foi ótimo!
Parece que no final das contas as coisas vão ser sempre assim. Por mais que eu passe por problemas comuns, ou não, eu tenho certeza que vou ter sempre o que vai me motivar no final. A certeza que tudo vai ficar bem, e sempre vai dar certo independente da dificuldade. É muito gostosa a sensação de calma e felicidade que ficou. Me faz capaz de tudo. Tudo mesmo. É incrível como mudou minha forma de enxergar o mundo saber que a mão que eu sempre precisei me acompanha agora e vai me acompanhar sempre. Aquela mesma que vai passar por tudo mesmo que ela se machuque. A mão que nunca vai soltar a minha mesmo que o mundo esteja acabando. Aquela mesma mão que a Clarisse disse que ajudou a G.H. a seguir sempre em frente e esteve sempre do lado dela, esperando por ela.
O que eu quero dizer é que ontem foi o melhor aniversário que eu me lembro de ter tido desde que eu parei de gostar de balas mais do que de brinquedos, e comecei a gostar mais de livros do que de roupas. E por mais que eu não tenha outros como este, este para mim já é o suficiente. Eu fiquei feliz, dormi bem e acordei bem. Só isso.

"E deixava a vida fluir, esquecia-me dos teus defeitos e tu dos meus e com o tempo aprenderíamos a viver um com o outro sem nos cansarmos, sem nos magoarmos, sem sombras nem equívocos."
Se eu pudesse, levava-te agora para casa, sentavamo-nos a lareira a conversar explicava-te porque é que um dia reparei que existias e sem querer me esqueci do meu coração entre os teus dedos.
Se eu pudesse...mas não posso, porque ninguém caminha sozinho, uma ponte só se constroi se as duas margens deixarem e o rio só corre se a corrente o empurrar. E eu não sou mais que uma gota de água nesse rio parado, uma peça perdida de uma ponte desmantelada, um mapa riscado que se esqueceu de todos os caminhos, uma folha em branco que perdeu a caneta, um estandarte sem bandeira, uma voz sem som, uma mão sem a outra. Falta-me a tua voz, o teu desejo, o teu querer, o teu poder. Falta-me uma parte de mim que te dei e que agora já não podes devolver.
Um dia havemos de nos entender."


As Crônicas da Margarida

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Me [Des]Entenda

Ontem eu saí. Fui me distrair e fingir que tudo está sempre bem. Bebi para que o sorriso amarelo parecesse mais natural, conversei sobre qualquer coisa sem importância para evitar que sentimentos ou pensamentos, que estão muito bem guardados, viessem a tona. Não adiantou muito, depois da nossa 'conversa' eu não consegui deixar de pensar no que eu me tornei, no que eu fiz. Fui dormir pensando no que eu poderia ter feito para tudo ser diferente. Para que você não me odiasse. O único o problema é que percebi que não existe resposta para isso. Eu não poderia ter feito nada. Desculpa, eu não deveria tê-lo envolvido na minha vida naquela hora, pois a partir do momento que fiz isso, só existiu um rumo a ser seguido.
Não me entenda mal, sempre fui sincera no que eu dizia sentir por você. Me apaixonei intensamente e adorei isso. Amei cada instante. Te respeitei como disse que faria, porque você merecia e merece isso. Me esforcei, dentro da minha visível limitação pessoal, para ser o que você queria e precisava enquanto estive ao seu lado. Mesmo porque você era tudo isso pra mim, parecia irreal. Nunca soube como te distratar, sempre que dizia algo mais duro ou que você não gostasse, procurava uma forma de contornar a situação porque não suportava vê-lo chateado com qualquer coisa que eu dissesse ou fizesse. Me machucava sequer pensar que um dia eu te magoaria. Errei em ter prometido algo que eu não havia ainda sido capaz de aprender a fazer, e me arrependo somente disso. Mas final você me ensinou isso, portanto vou ser eternamente grata.
Dormi pensando em você, quando acordei li sua mensagem. Chorei, admito. Mas não exijo que você entenda minhas razões. Chorei porque só naquela hora eu me dei conta que tudo havia mudado. Eu havia perdido meu amigo, e sem nenhuma garantia de talvez, quem sabe, um dia tê-lo de volta. Eu perdi um namorado que era exatamente o que eu vinha esperando ter, por não ter crescido o suficiente para entender isso antes. Eu voltei a ser quem eu era antes desse namorado, mas não sei ainda se isso é bom ou ruim, e a sensação é horrível. Eu fiz algo que sempre evitei, por esse motivo me afastava tanto de todos que tentavam se aproximar de mim. Eu menti para mim mesma a ponto de acreditar nas minhas mentiras, e você confio em mim enquanto eu me iludia. E talvez eu tenha mesmo esse destino que você diz, talvez eu sofra, mas quando eu tomei minha decisão eu não estava pensando nesse talvez, apenas em promessas vazias que eu sempre acreditei. Por essas razões tão importantes e por outras que nem se encaixam, eu chorei.
Eu queria que você me compreendesse, mas eu sei que ainda é muito recente pra isso. Assim como uma amiga me disse, aquele cara que eu conheci, e que fez parte do passado dela, precisou de muito tempo para entender o que tinha acontecido. Ele precisou esquecer do ódio que se misturava com o amor que ele ainda sentia por ela. Ele precisou entender que quando se gosta assim, dessa forma que eu gosto desse outro cara que é o meu passado, se faz coisas que a lógica não permite [por isso eu dizia tanto que precisava ficar sozinha e pensar, deixar as emoções de lado]. Ele entendeu que ela poderia passar a vida ao lado dele sem ter tomado a decisão que os separou, mas isso não seria o que ele realmente queria, pois ela nunca seria dele por completo e ele nuca seriam felizes por completo. Ele entendeu que ela precisava estar livre por completo para decidir primeiro, e que infelizmente no lugar dela, ele teria feito as mesmas escolhas [assim como ele um dia fez].
Eu só quero você saiba, que se meu coração estivesse vazio e limpo de alegrias, dores, magoas, carinhos, tristezas, todos esses sentimentos inacabados, você seria mais do que suficiente para ocupá-lo, fazer dele sua casa, seu lar, seu esconderijo. Mudar tudo de lugar, fazer tudo do seu jeito. Você seria a única pessoa capaz de ser o que eu preciso, mesmo eu que eu não estivesse precisando de nada. Do meu jeito absurdo e completamente fora de entendimento eu te amei. Mas ainda não consigo controlar o que eu sinto, e que estava tentando esconder, e com o passar do tempo, e por conta de pequenos acontecimentos, o fim seria inevitável. Eu tentei não deixar marcas, e me empenhei em não te machucar, mas de nada adiantou, e agora só me resta esperar que você me perdoe um dia, quem sabe né. E quem sabe as coisas serão diferentes, para nós dois.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Tentanto Me Explicar Só Um Pouquinho

Talvez eu volte aqui com mais frequência, no meu esconderijo preferido. É que eu perdi a proteção que me mantinha estável. O que fazia dos meus dias sempre agradáveis, sempre harmoniosos. Agora eu não tenho mais quem siga meus passos e conserte tudo o que minha natureza atrapalhada passa devastando. Eu não tenho mais a certeza de que o que eu sinto é certo ou errado, porque eu não tenho mais um ponto de referencia que me mostre o que pode ou não. Eu voltei a sentir calafrios, e a ter medo de chorar. Na verdade eu voltei a sentir vontade, talvez saudade do gosto de uma lágrima, e isso não acontecia a algum tempo [a não ser que eu pensasse muito em você e no nosso fim].
A verdade é que ele me deu uma segurança que você nunca foi capaz de me dar. Ele se preocupou com detalhes. Estes bobos que hoje em dia você fica todo feliz e orgulhoso de si próprio por ter lembrado e não errado. Ele não, ele sempre soube, talvez até mais do que eu. Ele lembrava e fazia questão disso, porque para ele isso era importante, diferente de você.
Ele cuidava de mim como se eu fosse extremamente frágil, alias, ele descobriu em mim essa fragilidade que nem eu mesma conhecia. Ele me mostrou que eu sou mais assustada do que imaginava, já você sempre me fez ser forte e superar tudo, nunca me deixou ser delicada, pois não havia espaço para isso no meio de todas as outras formas que eu tinha tomado apenas para você. E quando eu era, você estranhava e simplesmente dizia não ter me conhecido daquele jeito, e que não ser tão delicada era ser muito melhor.
Eu sempre acreditei em você, no final das contas para mim vocês estava sempre certo. A verdade é que você sempre vai estar. Você me conhece, sabe que no fundo eu sou feita de cristal, apenas tem medo que eu te mostre isso e você me quebre em pedaços [mais uma vez]. Você adora a minha independência, porque mesmo tão extrema eu sempre volto pra você, e isso te faz feliz. Te faz feliz que eu possa ter tudo, ser tudo, e queira apenas ter você e ser pra você.
O seu medo de que eu conhecesse uma nova vida e nunca mais voltasse não existe mais, talvez isso seja o que vai definir nossos rumos. Depois dele você sentiu um medo [que eu não achei que realmente tivesse] de me ver ser feliz [de verdade] sem que você faça parte disso. Porque ele me fez feliz, inteiramente feliz, em cada pedacinho do nosso dia. Em cada sms de bom dia, cada bico pedindo um beijo, cada abraço apertado, cada palavra, cada gesto. Eu não sei como explicar, mas ele realmente parecia ser exatamente tudo o que eu queria e precisava. Dessa vez você realmente quase me perdeu. Pra sempre. Não um pra-sempre-de-brincadeira, mas um pra-sempre-de-verdade, daqueles que deixa saudade, mas não machuca mais. A única coisa que ele não era, é você. Mesmo ele sendo TUDO, faltou isso, e isso me fez estragar tudo de todas as formas possíveis.
Eu me transformei em tudo o que eu odiei em uma pessoa uma vez. Não com a mesma versão de história, porque a dela, dessa pessoa, teve lados que eu ainda considero piores [desculpa falar isso tá], mas ainda assim eu fui tão rude quanto pude. De um jeito, que leva tempo e paciência para entender, basicamente tem que viver. Eu fui sincera e mentirosa. Eu fiz o certo e o errado. Eu vivi dois lados distintos em cada momento da minha vida. E eu nunca deveria ter feito isso. Eu realmente espero poder fazer alguma coisa quanto a isso um dia, mas infelizmente isso vai demorar, eu sei. Só não sei o quanto, e isso me deixa angustiada.
Agora que eu voltei a tremer, vou voltar também a criar expectativas e me decepcionar, como eu fazia com você antes. Mas pelo menos dessa vez eu posso dizer que conheci o que é ser feliz de uma forma simples e pura, ter alguém que se importa de verdade, ter onde me espelhar e parar de empurrar com a barriga esperando algo melhor. Eu já conheci algo melhor e perdi [escolha minha admito], e agora quero o melhor que eu tanto esperei e sofri para ter, mas dessa vez se ele não acontecer, eu não vou mais insistir, e eu sei que você também não, e eu vou simplesmente recolher meus cacos e seguir em frente [essa é aquela ultima tentativa da qual a gente sempre fala], e talvez encontrar algo melhor ainda que o melhor que eu tive, quem sabe até ter o meu melhor de volta, não sei, só sei que dessa vez eu vou fazer tudo certo, sempre. Prometo!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Leviana

"I don't feel miserable or angry. I don't feel good or bad. I feel nothing."

Mais uma vez tomei minha decisão. Fechei os olhos, tapei os ouvidos e caminhei com passos firmes, batendo de frente com muralhas e passando por cima de qualquer obstáculo a minha frente. Ouvindo apenas o som da minha voz ignorei avisos e conselhos. Destrui qualquer coisa que tentou me prender, machuquei qualquer um que tentou se aproximar. E como sempre fui direto ao ponto que não me dá a menor possibilidade de retorno. Fui egoísta e rude. Proibi sentimentos perto do meu coração, e não permiti que meu espírito se aventurasse como antes. Tive medo, por isso caminhei lado a lado com a tristeza e fiz da solidão a amante que me completava.

Agora eu estou imovel. Inerte. Simples. Não sei dizer o porque, contudo parei. Não sei se era realmente isso o que eu queria. Não sei se realmente quis me locomover como havia feito a principio. Não sei o que pensar, entretanto meus pensamentos não param e não se encaixam e não se finalizam. Talvez seja esse o motivo pelo qual não consiga mais me mexer. Talvez eu não saiba mais andar e talvez eu simplesmente não saiba mais nada. Odeio a confusão que o não-saber causa. Preciso saber, tenho essa necessidade absurda de toda e qualquer informação, que me empurre para frente ou para trás, que puxe para os lados. Que simplesmente me tire do lugar. Preciso de verdades e mentiras que me façam entender ou não, acreditar ou duvidar. Preciso de comoções, mas não piedades.

Constantemente eu deixo rastros, basta saber onde olhar para encontrá-los. Gosto de saber que eu sou localizavel. E gosto mais ainda de saber que quem me encontra realmente quer que isso aconteça. Não penso quando faço qualquer coisa, sou do tipo que raciocina mesmo depois, se algo der errado, é só depois que eu me preocupo em consertar, se não tive conserto tudo bem, talvez, eu acho. É só depois que eu respiro e olho de todos os ângulos. Durante eu penso pouco, respiro pouco e olho só de frente, mas de frente não é o suficiente. É muito intenso, me força a tomar decisões, me faz ter medo de arrependimentos. Eu gosto de deixar rastros, porque por onde eu passo eu sempre atinjo principalmente quem me é importante. Pode ser bom ou ruim. Depois eu tenho essa esperança de que esse ser importante vai querer me encontrar e recomeçar. Eu me agarro a essa esperança, por isso eu me movo tanto, por isso ficar imovel me desestabiliza, por isso eu nunca sei ao certo o que eu sei. Porque eu nunca sei como será esse reencontro e isso também me assusta. É uma contraditoriedade que me sufoca, e me impede.

Talvez o que eu digo seja confuso, mas é exatamente assim que é. É exatamente assim que os sentimentos são. É exatamente assim que eu vivo. É exatamente disso que eu gosto. Eu não conheço outra forma de sentir ou de mostrar o que eu sinto. E isso é o mais perto que eu vou chegar de agradecer ou me desculpar com você, pelo que eu sou ou fiz ou vou ser ou vou fazer. É imprudente minha atitude assim como é intoleravel a minha maneira de sentir, eu sei, mas é isso, só isso, e pra mim isso só já basta.

"You want to know how I feel? I feel hurt."

quarta-feira, 30 de março de 2011

Olhando por aí...

"(...) Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais...

Mas aí, daqui uns dias.... você vai me ligar. Querendo tomar aquele café de sempre, querendo me esconder como sempre, querendo me amar só enquanto você pode vulgarizar esse amor. Me querendo no escuro. E eu vou topar. Não porque seja uma idiota, não me dê valor ou não tenha nada melhor pra fazer. Apenas porque você me lembra o mistério da vida. Simplesmente porque é assim que a gente faz com a nossa própria existência: não entendemos nada, mas continuamos insistindo."

Tati Bernardi

quinta-feira, 24 de março de 2011

Chega!

Está decidido. Não vou mais ser tão dramática, coisa que eu nem sequer gosto tanto. Vou ser mais direta de agora em diante. Eu ainda gosto de escrever sobre os mesmo assuntos de antes sim, mas não vou fazer isso com essa frequência absurda. Afinal, na vida há muito mais para se prestar atenção do que se naquele dia ele estava com uma lágrima escorrendo do olho ou não. Não estou dizendo que eu fazer deste lugar um tipo de jornalzinho de acontecimentos diversos do dia a dia, mas ele será diversificado.
Eu estou ficando assim. Estou mais interessada em compartilhar opiniões sobre todos os assuntos, e não só o cacos de uma vida pessoal que nem existe mais.
Não exatamente por onde vou começar ou o que vai me interessar a ponto de escrever a respeito, mas assim como aqueles contos melosos e antigos [que na verdade eu nem gostava muito que outras pessoas lessem] vou escrever o que me vier a cabeça e eu achar que se encaixa.

terça-feira, 22 de março de 2011

Para os Dois

Os Barcos
[Legião Urbana]

Você diz que tudo terminou
Você não quer mais o meu querer
Estamos medindo forças desiguais
Qualquer um pode ver
Que só terminou pra você

São só palavras teço, ensaio e cena
A cada ato enceno a diferença
Do que é amor ficou o seu retrato
A peça que interpreto,um improviso insensato
Essa saudade eu sei de cor
Sei o caminho dos barcos

E há muito estou alheio e quem me entende
Recebe o resto exato e tão pequeno
É dor, se há, tentava, já não tento
E ao transformar em dor o que é vaidade
E ao ter amor, se este é só orgulho
Eu faço da mentira, liberdade
E de qualquer quintal, faço cidade
E insisto que é virtude o que é entulho
Baldio é o meu terreno e meu alarde
Eu vejo você se apaixonando outra vez
Eu fico com a saudade e você com outro alguém

E você diz que tudo terminou

Mas qualquer um pode ver
Só terminou pra você

'VOLTO LOGO'

Eram 10:30 da manha de um sábado. O dia estava nublado, mas não totalmente frio. Ela gostou disso, pois assim poderia vestir seu casaco preferido, com as botas novas que ganhara de presente de aniversário. O despertador a acordara, mas não a assustou como acontecia tradicionalmente durante a semana. Ela acordou tranquila, e inclusive ansiosa, para sua rotina. É que aos sábados ela fazia exatamente aquilo queria ela queria, sem obrigações ou deveres, eram apenas as coisas que ela havia escolhido. E mesmo sendo as mesmas coisas durante anos ela continuava gostando cada vez mais.
Tomou seu café enquanto assistia qualquer coisa que passava na TV, depois tomou banho e se arrumou com a roupa que tanto queria. Era uma garota bonita, tinha um rosto simples, com traços finos, os olhos que por si só já diziam tudo o que ela imaginava. O sorriso, que ela não gostava muito, dificilmente era visto pelos que não a conheciam bem, mas quando aparecia era mais sincero que qualquer outro. Tinha os cabelos castanhos, pode-se dizer que eram marrons como um tronco novo, e cacheados, por conta disso não suportava penteá-los, mas mesmo desarrumados continuavam lindo. Era comum, porem chamava a atenção mesmo que sutilmente inclusive aos que passavam por ela com pressa de notar qualquer coisa ao redor.
A alguns anos ela se apaixonara, mas não era um amor comum desse entre homem e mulher, e sim por um lugar escolhido pelo coração dela. Era uma lojinha que abrira a mais ou menos cinco anos, cheia de coisas que ela jamais encontrara em qualquer outro lugar. Coisas que a deixava cada vez mais curiosa, coisas que a deixava intrigada, coisas que ela simplesmente gostava e muitas coisas que a fazia feliz. O dono da loja era um senhor já bem velhinho e conhecido nas redondezas por ser muito solitário, contudo o que ninguém notara é que ele não era mais solitário desde o dia em que aquela garota colocou os pés naquela lojinha pela primeira vez. Ela se tornara a única cliente que ele precisava, a única que o fazia ter orgulho de tudo o que ele construíra depois de tantos anos de dor e sofrimento por conta de uma vida que já não o atormentava mais.
Nesse sábado ela resolveu ir um pouco mais tarde, logo após o almoço, pois sua mãe havia feito seu prato preferido. Logo após foi caminhando direto para seu destino, não queria se demorar mais, estava se sentindo diferente aquele dia e queria muito descobrir o porque. A lojinha não ficava muito longe da casa dela, e ela preferia caminhar porque assim pensava melhor e refrescava a mente de todos os problemas acumulados de uma semana tão cheia de estudos.
Chegando notou que o lugar ainda estava fechado. A placa antiga feita em madeira e com letras talhadas a mão dizendo 'VOLTO LOGO' ainda estava pendurada na porta. Isso significava que o senhor havia ido almoçar e logo retornaria. Ele gostava muito de madeira talhada a mão, dizia que era um dos únicos trabalhos feito pelo homem que ele admirava. Ela decidiu então esperar.
Se sentou no banco que havia em frente a loja na calçada, também de madeira que aquele mesmo senhor havia colocado. Alias ele próprio gostava de se sentar lá as vezes e pensar em sua vida e nas coisas que mesmo depois de tanto tempo ainda sentia vontade de fazer. Ela estou e ficou esperando enquanto imaginava que surpresa encontraria ou que livro a fascinaria dessa vez. É que nos fundos da lojinha, havia algumas estantes cheias dos mais diversos livros, e somente para ela, ele colocou uma pequena mesa e um banco também feitos em madeira e com os detalhes talhados a mão, para que ela pudesse passar suas tardes lendo e fazendo-lhe companhia, mesmo que só pela presença, já que eles jamais tiveram uma conversa mais longa que 5 frases muito bem pronunciadas por ambos.
Ela esperou por muito tempo, e enquanto esperava, ficava imaginando todos os tipos de situações possíveis. Ele estava demorando muito e ela estava muito ansiosa para descobrir algo novo, ou se deslumbrar com algo já conhecido. Depois de aproximadamente 1 hora, ela começou a ficar incomodada e preocupada com o que teria conhecido com aquele senhor que sempre foi tão simpático com ela. E enquanto esperava, mesmo preocupada, nervosa e apreensiva, ela notou que uma nova loja havia aberto do outro lado da rua. Uma loja com coisas novas e atuais, sem a aparência confortável e tão acolhedora que sua lojinha de sempre proporcionava. Mas ainda assim uma loja que chamou sua atenção, que parecia convidá-la insistente para entrar, olhar, se interessar e ficar.
Enquanto caminha para o outro lado da rua, ela não parou de olhar para ter certeza que o senhor não estava chegando, mais ainda, para ter certeza que ele não iria vê-la traindo todos esses anos de fidelidade. Ela se sentiu atraída pela nova loja, mas com receio de entrar. Ficou com medo de se arrepender, e de por vergonha não conseguir mais voltar para sua lojinha que em todo se tempo mais se parecia com um lar escolhido a dedo.
Depois de algumas horas dentro da nova loja, ela se despediu do guri que trabalhava no balcão e tinha sido tão gentil, e disse que voltaria na próxima semana. Atravessou a rua e colocou um bilhete por debaixo da porta da lojinha, dizendo o quanto sentia muito ter quebrado aquele elo tão sagrado que havia ali, e disse que se no próximo sábado, caso ela estivesse aberta novamente, certamente seria ali que ela ficaria. Se afastou e com um aceno foi embora, caminhando de cabeça baixa, da mesma forma como saíra de casa pela manhã.
Mais alguns sábados se passaram e a lojinha continuava com suas portas fechadas e sua placa 'VOLTO LOGO' pendurada na porta. Todos os sábados antes de mudar o curso para a loja nova, ela sentava no banco de madeira por algum tempo e continuava imaginando o que teria acontecido. Continuava a se preocupar e continuava a sentir saudade daquele lugar que parecia ficar cada vez mais esquecido pelo demais que freqüentavam as redondezas. Imaginou formas de se comunicar com aquele senhor tão simpático e saber se teria acontecido algo que ela pudesse ajudar. Por mais que gostasse da loja nova, sentia vontade de voltar a freqüentar a antiga e fazer daquilo novamente sua rotina de todos os sábados. As vezes ela se perguntava se talvez, naquele dia, tivesse ido até lá antes de almoçar, se talvez não tivesse pego a lojinha aberta e tudo seria diferente.
Mal sabia ela que o que aconteceu aquele senhor era mais triste do que ela queria imaginar, e realmente talvez tivesse sido evitado com a presença dela. Um acidente que muitos presenciaram, mas tão intimo e despercebido que ninguém parou por mais de um instante para saber o que aconteceu. Tudo muito rápido: o sinal, a batida, a ambulância… Afinal, ele não tinha família. Era solitário e sozinho. Ninguém o conhecia e nem sequer sabia nada a seu respeito. Quem poderia imaginar que ele tinhas as chaves de algo tão importante para uma garotinha, e que mesmo sem a menor idéia do que ocorrera, ela esperaria todo sábado, antes de mudar seu rumo. Mal sabia que a cinco anos, ele já havia dado alquile lugar para ela, e estava apenas esperando que ela perguntasse. Ele deixou as chaves dentro daquela caixinha misteriosa guardada a sete travas que ela adorou mas nunca mexeu, pois foi seu primeiro e mais precioso tesouro.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Achei Por Acaso Na Net

"Não me aproximo porque, veja bem, sabe lá quem habita a tua solidão. Hesito. Recuo. Me afasto tristíssima. E te imagino em poses e sorrisos, voz grave e cabelos desgrenhados, preso nas minhas fantasias mais loucas e movimentadas. Numa delas sou um bichinho invisível, com asas, que adentra tua casa e te observa em segredo. Faço o contorno do teu corpo todo com os olhos, parada contra a parede do teu quarto, imóvel, enquanto tu te atiras na cama. Cansado. Tu olhas para o teto imaginando mil coisas, memórias, compromissos, desejos, saudades. Te fito com dor. A luz do abajur faz sombra na tua pilha de livros, que folheei um dia e quis pedir emprestado mesmo sabendo que não havia intimidade para pedidos. Por razões que desconheço, nossas aproximações foram sempre pela metade. Interrompidas. Um passo para a frente e cem para trás. Retrocessos. Descaminhos. Procuro sinais de algum amor teu. Vestígios de noites passadas. Tu não me vês, estou incógnita a te observar. Como sempre estive, olhando pelas janelas, de longe, coração apertado. Nós poderíamos ser amigos e trocar confidências. Assistiríamos a filmes, taça de vinho nas mãos, e tu me detalharias as tuas paixões e desatinos. Nós poderíamos ser amantes que bebem champanhe pela manhã aos beijos num hotel em Paris. Caminharíamos pela beira do Sena, e eu te olharia atenta, numa tentativa indisfarçável de gravar o momento e guardá-lo comigo até o fim dos meus dias. Ou poderíamos ser apenas o que somos, duas pessoas com uma ligação estranha, sutilezas e asperezas subentendidas, possibilidades de surpresas boas. Ou não. Difícil saber. Bato minhas asas em retirada. Tu dormes, e nos teus sonhos mais secretos, não posso entrar. Embora queira. À distância, permaneço te contemplando. E me pergunto se, quem sabe um dia, na hora certa, nosso encontro pode acontecer inteiro. Porque tu és o único que habita a minha solidão."

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

02.02.2011

Já fazem meses sem que eu escreva uma única palavra por aqui. Mais ou menos desde a ultima vez em que aquele antigo "nós" existiu e se transformou mais uma vez em "eu" e "você". Faz um tempo que eu venho sentindo saudade desse nosso cantinho, ou melhor, desse meu cantinho que sempre teve um lugar especial reservado só pra você.
Mas sinceramente eu não tinha idéia do que dizer, nem se deveria. Muita coisa aconteceu nos últimos meses, muita coisa mudou. Você, eu, nossas atitudes, nossas escolhas, nossos rumos...
Estamos em caminhos diferentes que parecem não nos dar nenhuma fresta para uma aproximação mesmo que casual. Você seguindo sua vida e eu a minha, simples assim. Como se nunca tivesses nos conhecido ou sequer nos encontrado e trilhado estradas tão intimas. Aliás, parece mais um tipo de sonho constante, uma vida alternativa onde eu me jogo sempre que eu me deito e fecho os olhos.
Eu continuo confusa, aflita e impaciente. Faço planos impossível de realizar. Idealizo momentos que não vão acontecer. Penso em palavras que logo serão esquecidas sem sequer ter a chance de serem pronunciadas. Não sei se eu ainda queria que você estivesse ao meu lado, para acompanhar meus passos, mas sei que a sua ausência me fez lembrar que eu sei caminhar com grande destreza sozinha. Sei despistar o que sempre me incomodou e me fazia me esconder atrás da sua sombra. Sei alcançar aquele objeto na prateleira mais alta. Sei encontrar soluções para todos os problemas que eu gostava de inventar.
Não sei bem o que eu vim dizer hoje, acho que é mais pra dizer que como um dia qualquer teve seus pontos altos e baixos, e como em um dia qualquer eu ri, me interessei, fiquei com raiva, quase chorei, conversei, reencontrei velhos amigos, falei besteira, fiz minhas juras eternas e ouvi novidades que me agradaram.
Acho que vou continuar sumindo daqui, ou aparecendo de vez em quando para falar sobre nada o que é muito bom também. Só sei que mesmo estando empoeirado de vez em quando, este lugar nunca vai estar abandonado.